domingo, 23 de janeiro de 2011

Selo Spéciale



Mais uma vez a Ana me presenteia de forma linda, um selo realmente especial!!!

Obrigado minha querida!!

Presente do blog: http://pequenasepifaniaseoutrosdevaneios.blogspot.com/

domingo, 16 de janeiro de 2011

Não para o ano, mas para uma vida

"Pois desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado.
E que se não for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde mágoa.
Depois desejo que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos e que mesmo maus e inconseqüentes sejam corajosos e fiéis.
E que em pelo menos um deles você possa confiar e que confiando não duvide de sua confiança.
E porque a vida é assim, desejo que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos, mas na medida exata para que algumas vezes você se interpele a respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo para que você não se sinta demasiadamente seguro.
Desejo depois que você seja útil, não insubstituivelmente útil mas razoavelmente útil.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante, não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com aqueles que erram muito e irremediavelmente.E que essa tolerância nem se transforme em aplauso nem em permissividade, para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um bom exemplo para os outros.
Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa demais,
e que sendo maduro não insista em rejuvenescer,
e que sendo velho não se dedique a desesperar.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram dentro de nós.
Desejo por sinal que você seja triste, não um ano todo, nem um mês e muito menos uma semana, mas apenas por um dia.
Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo, talvez agora mesmo, mas se for impossível amanhã de manhã, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes.
E que estão à sua volta, porque seu pai aceitou conviver com eles.
E que continuarão à volta de seus filhos, se você achar a convivência inevitável.
Desejo ainda que você afague um gato, que alimente um cão e ouça pelo menos um João-de-barro erguer triunfante seu canto matinal.
Porque assim você se sentirá bom por nada.
Desejo também que você plante uma semente por mais ridícula que seja e acompanhe seu crescimento dia a dia, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano você ponha uma porção dele na sua frente e diga: Isto é meu. Só para que fique claro quem é dono de quem.
Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal, não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal. Mas que essa frugalidade não impeça você de abusar quando o abuso se impor.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você. Mas que se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.
Desejo por fim que, sendo mulher, você tenha um bom homem
e que sendo homem tenha uma boa mulher.
E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez e novamente de agora até o próximo ano acabar. E que quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda tenham amor pra recomeçar.
E se isso só acontecer, não tenho mais nada pra desejar."

Sérgio Jockymann

Acabei de ver no blog do Bruno Motta um trecho deste texto do Jockymann chamado "Os votos", publicado no "Diário da tarde" em 30 de dezembro de 1978. Texto belíssimo, que me faz refletir bastante.

Uma semana doce para todos...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Sosa!!


Só estou aparecendo aqui muito rapidamente e só quando estou bêbado!!uhauhaua

Mas apareci novamente pra dizer que esta senhora aqui...num é fodah não...é FODÁSTICA!!!

Mercedes Sosa!!!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Janis



Estou demasiadamente ébrio para dizer qualquer coisa!! Depois eu escrevo!! Só quero dizer que essa moça aí de cima é fodahhhh!!!

Bjus, inté!

sábado, 4 de dezembro de 2010

O mesmo blá blá blá de sempre

Olá leitorzinho montíllico,

td bem?!?

Alguns acontecimentos em minha vida me fizeram entrar em processo de profunda auto-reflexão nestes últimos tempos.

Sabe quando nada te preenche, nada de basta e sempre ficará a sensação de que nunca nada te fará completo??? Nada fará de vc auto-sustentável??!? Pois bem, assim estou!!


E o que torna a situação um pouco mais complexa é o fato de eu não ter ânimo nenhum pra mudar isso!!! Talvez esta falta de ânimo advenha da minha percepção de que...nada vai adiantar, que as coisas não vão mudar.

Enfim, foram apenas alguns devaneios.

sábado, 20 de novembro de 2010

Selo lindo!! Obrigado!




Ana, minha querida!! Obrigado pelo selo!! Lindo lindo!!

A Ana é uma doçura de pessoa, autora do blog "Pequenas Epifanias", o qual visito todos os dias! Uma diliça!!! Recomendo!
http://pequenasepifaniaseoutrosdevaneios.blogspot.com/

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Varridos os amores e todos os seus tremores...


"Eu adorava balões de gás quando era criança. Lembrando disso, aparentemente por acaso, tantos balões depois, recordo com um sentimento muito nítido o prazer macio que experimentava cada vez que ganhava um. Ficava toda prosa. Virava um pé de riso. Andava de um canto para o outro com a pontinha do dedo amarrada ao pedaço de linha que permitia que o levasse comigo e impedia que se afastasse de mim. Aquele fio era a ponte que possibilitava o nosso encontro. O recurso que me garantia que, enquanto eu o mantivesse próximo, o balão permaneceria no mesmo metro quadrado onde o meu encanto existia.

A verdade é que, apesar de tanto zelo e de geralmente, por medida de segurança, chegar a asfixiar a ponta do dedo com tantas voltas de linha, poucos foram aqueles que cumpriram o destino previsto para os balões: estourar de repente ou esvaziar devagarinho até se transformar num pedaço de borracha triste, que em nada se assemelha ao formato anterior. Na maioria das vezes, a linha se soltava da minha mão por algum descuido e eu assistia o balão voar para longe, cada vez mais longe, cada vez mais longe, cada vez mais longe ainda do meu alcance.

Eu ficava lá, coração marejado, pé de riso sem flor, acompanhando aquele voo permeado de susto e de vento. Olhar estático, vida suspensa, experimentava a impotência de flagrar o afastamento do objeto amado sem poder fazer absolutamente nada que pudesse, naquele trecho dos ponteiros, alterar o itinerário que a surpresa desenhara. Os adultos me confortavam. Prometiam outros balões, que eu sabia que viriam. Costumavam vir. Mas aquele, aquele lá, que já voava distante, pequenino ponto já sem cor definida no céu, aquele não voltaria mais. Era por aquele que a tristeza virava chuva em meu rosto. Por aquele, cujo fio da linha não consegui manter comigo. Por aquele que despertara os risos que ainda ecoavam em mim.

Depois que virei gente grande, descobri, com lucidez embaraçosa, que alguns amores se afastam do nosso alcance igualzinho ao que acontecia com aqueles balões que vi se distanciarem cada vez mais, cada vez mais, cada vez mais. No início, a gente caminha todo prosa, um pé de vida florido, pontinha do sonho amarrada ao pedaço de linha que se chama esperança. Planos de jardim com girassóis, filho contente, cachorro, horta, rede na varanda, e aquela mão segurando a nossa, estrada afora. De repente, começa a ventar o vento que tira os sonhos do lugar, que faz o fio da linha se desprender do dedo, que recolhe a ponte e deixa o abismo. Um vento soprado pela desatenção, o descuido letal para os balões e os amores.

Há um momento sem sol em que a gente percebe que o amor anoiteceu. O coração enxovalhado, ferido, está exaurido pela aflição de tanto esticar-se para tentar alcançar o fio da linha que se soltou e amarrá-lo de novo na pontinha dos sonhos. No fundo, ele sabe que não o alcançará: voa longe demais da possibilidade de alcance. Se ainda insiste, buscando impulso para pulos cansados, é porque aquele amor, exatamente aquele, ainda é tudo o que ele mais deseja. Porque não sabe onde colocará as mãos, o encanto, o olhar, depois daquele instante. Porque não lhe importa que outro amor venha ao seu encontro. É aquele, aquele lá, que ainda o descompassa.

Vida marejada, nó apertado na garganta das coisas, chega finalmente o momento em que desejamos apenas o sossego que costuma vir com a aceitação. Coragem, às vezes, é desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. É permitir que voe sem que nos leve junto. É aceitar que a esperança há muito se desprendeu do sonho. É aceitar doer inteiro até florir de novo. É abençoar o amor, aquele lá, que a gente não alcança mais."



Ana Jácomo



Lindo texto da Ana Jácomo. Confesso que fiquei (estou) impactado com esse texto, refletindo sobre a profundidade nele contido. É uma verdade dolorida, mas necessário de ser vivida. Sobretudo por esses dias, ver algumas pessoas me trouxe de volta e ao mesmo tempo me conduziu ao desprendimento de um passado ferino, cujas luzes mitigadas ainda teimo em guardar comigo. Queria tanto (será?!?) praticar o desapego, mas...."voa coração!"

Ainda, me lembrei de um trecho de "Non, je ne regrette rien", interpretada por Edih Piaf.

Balayé les amours
Varridos os amores
Avec leurs trémolos
E todos os seus temores
Balayés pour toujours
Varridos para sempre
Je repars à zéro..
Recomeço do zero.
(Michel Vaucaire / Charles Dumont)

Semana linda para todos!!!